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CONTRIBUTO PARA MEMÓRIA COLECTIVA
AS ESCOLAS DE RADIOTELEGRAFIA E OS RADIOTELEGRAFISTAS

CRONOLOGIA

1878, 03 Maio – Publicada a Lei que criou em Paço d’Arcos a Escola e Serviços de Torpedos;
1892 – a Escola e Serviços de Torpedos foi integrada no Ministério da Marinha e Ultramar na dependência do Conselho do Almirantado;
1898 – a Escola e Serviços de Torpedos passou para a dependência da Majoria General da Armada e as suas atribuições no campo da Telegrafia Eléctrica (Telégrafo) e visual, foram ampliadas;
1901, Novembro – Ainda com instalações conjuntas em Paço d’Arcos, foi separado o serviço de Torpedos Fixos dos do serviço de Torpedos Móveis;
1901, 01 Dezembro – Publicado o Decreto que passou o Serviço de Torpedos Fixos para o exército, tendo continuado em Paço d’Arcos;
1902 – A Marinha, de acordo com a OA1/08Mar/1902 (da Majoria General da Armada) criou e instalou em Vale Zebro, o Serviço e Escola Prática de Torpedos e Electricidade (SEPTE), que viria a ser o precursor directo de todos os actuais estabelecimentos de ensino na Armada;
1902, Maio – o SEPTE iniciou o seu funcionamento.
1904, 26 de Abril – é publicado o Despacho Ministerial, veiculado pela ODA5, que formaliza e programa as aulas de TSF pela primeira vez na Armada, e talvez mesmo em Portugal, que iniciaram a ser ministradas no SEPTE, e cujo programa previa:
- Associação de dynamos;
- Condução de dynamos associados;
- Motores eléctricos de corrente contínua; sua conducção e manobra;
- Manobra dos motores a distância; emprego de relais;
- Associação diversa de motores conjugados para conseguir differentes regimes de marcha;
- Illuminação por arco voltaico e por incandescência;
- Projectores, apparelhos de sinaes, transmissores de ordens;
- Distribuição, quadro, canalização, aparelhos de segurança e manobra;
- Accumuladores;
- Conducção de uma bateria trabalhando isolada ou em parallelo com os geradores;
- Carga e descarga da bateria empregando reductores ou rehostatos;
- Associações divresas dos acumuladores para conseguir differentes regimes de corrente no circuito exterior;
- Provas de recepção dos conductores, medida da conductibilidade e isolamento;
- Telegraphia electrica, estabelecimento de um posto e seu funcionamento;
- Telephonia electrica, idem;
- Telegraphia sem fio, idem;
- ….

1905 – Inicio de funcionamento do Posto Radiotelegráfico de Val-Zebro – com indicativo de chamada “VZ” – com a sua instalação no Serviço e Escola Prática de Torpedos e Electricidade (SEPTE). Foi utilizado quase em exclusividade na formação de Radiotelegrafistas;
Por esta altura está em curso uma política radiotelegráfica, começada com o início dos cursos de TSF no SEPTE, que aponta para a preparação do pessoal e obtenção de equipamentos necessários ao estabelecimento das radiocomunicações navais. É no seguimento desta política que a Marinha adquire dois equipamentos para instrução, sendo um instalado no SEPTE, em Vale Zebro e outro na Escola Naval, então situada na Rua do Arsenal. Não foi encontrada documentação que concretize acerca da data da sua desactivação, mas pensa-se que terá acontecido entre em 1924 por efeito da passagem de responsabilidades do ensino da Radiotelegrafia para a Brigada de Mecânicos ou em 1928 por efeito da criação da Escola de Radiotelegrafia e Comunicações no Posto Radiotelegráfico de Monsanto.
1909 – Foi substituído o equipamento montado no SEPTE por um dos equipamentos Marconi de faísca, de 1,5 Kw entretanto adquiridos para montagem a bordo dos cruzadores e em terra.
Foi com estes equipamentos que praticaram os primeiros Radiotelegrafistas que se formaram na Marinha e, pensa-se, em Portugal.
1909, 27 Outubro – Publicado Despacho que cria a especialidade de Radiotelegrafistas; (O Dia do Radiotelegrafista Português)
1909, 11 Dezembro – As primeiras mensagens navais, em termos operacionais, passadas por radiotelegrafia, foram oficialmente trocadas em 11 de Dezembro de 1909 entre o Cruzador S.Gabriel, a poucas horas de Lisboa, e o Posto Radiotelegráfico de Val Zebro. No entanto e porque o Posto de Vale Zebro havia sido concebido apenas para efeitos de instrução – e isso era razão do seu curto alcance – com o afastamento do S.Gabriel do raio de alcance do Posto de Vale Zebro, e por não haverem ao tempo outros postos ou navios portugueses equipados com TSF, as radiocomunicações na Marinha iniciadas a 11 de Dezembro de 1909 só tomaram forma regular e definitiva em 16 de Fevereiro de 1910 com a entrada em funcionamento do Posto Radiotelegráfico do Arsenal da Marinha, instalado na Casa da Balança, com o indicativo “AM” asté 1913 e depois “CRF” até á sua extinção em 1920.
A primeira mensagem que consta do seu livro de registo foi recebida de Vale Zebro por radiotelegrafia, pelo 1º Marinheiro Radiotelegrafista Manuel Fernandes Correia.
Dizia no seu texto o seguinte:
“QUEIRA FAZER O OBSEQUIO DE ME MANDAR DIZER SE AHI EM LISBOA ESTA A CHOVER”
1910, 16 de Fevereiro – Entra em funcionamento o Posto Radiotelegráfico do Arsenal da Marinha. Equipado com um emissor de faísca, de 1,5 Kw, foi o primeiro Posto Radiotelegráfico a fazer serviço oficialmente em Portugal e o berço da então futura rede radiotelegráfica da Marinha.
1910, Fevereiro – Têem inicio os cursos de Radiotelegrafistas instituidos em 27 de Outubro de 1909.
Em Março do mesmo ano, a Marinha tinha já sete equipamentos e 38 Radiotelegrafistas;
1911 – Cursos de TSF realizados entre 1907 e 1911 têm como instrutor o Cte Álvaro Augusto Nunes Ribeiro.
1913, 15 de Março – Publicado o Decreto veiculado pela OA nº 4 que cria a Comissão Técnica de Torpedos e Electricidade (CTTE) que, entre outras funções, tutelou o ensino das Radiocomunicações até 1924, ano em que foi substituida pela Brigada de Mecânicos;
1915 – Publicada a Lei nº 409 que é veiculado pela OA nº 9, criando o quadro de Radiotelegrafistas e que dizia nos Artigos 35º e 37º, o seguinte:
ARTº 35º – Para os seviços de rádiotelegrafistas de marinha haverá no corpo de marinheiros da armada o seguinte quadro de telegrafistas:
a) Dois sargentos ajudantes telegrafistas;
b) Seis primeiros sargentos telegrafistas;
c) Dez segundos sargentos telegrafistas;
d) Dezasseis cabos telegrafistas;
e) Vinte telegrafistas com a graduação de primeiros marinheiros;

ARTº 37º – As promoções de pessoal deste quadro serão feitas por classificações e mérito relativo, seguindo-se o critério do maior número de letras que transmitam e recebam correctamente por minuto;
1916, 12 de Julho – Entrou oficialmente em funcionamento Posto Radiotelegráfico de Monsanto que substituiu o Posto Radiotelgráfico do Arsenal da Marinha, na Casa da Balança, por este já não ter capacidade de resposta ás solicitações do serviço radiotelegráfico oficial e do serviço móvel marítimo.
1921 – Por via da reorganização havida no Ministério da Marinha, o Dec Lei nº 7842 colocou sob a direcção do Major General da Armada, os serviços radiotelegraficos, radiotelefónicos radiogoniométricos e hidrotelefónicos, que aí se mantiveram até 1923, data em que passaram para a Repartição dos Serviços Radiotelegráficos da Armada.
1921 - O SEPTE foi integrado no Comando Superior das Escolas da Marinha;
1923, 2 de Janeiro – Pelo Dec. Leo nº 8558 foi criada, na dependência da Majoria General da Armada, a Repartição dos Serviços Radiotelegraficos da Armada, o primeiro organismo que na Marinha se ocupou exclusivamente de assuntos de comunicações e de Radiotelegrafia. No entanto o ensino continuou sob responsabilidade do SETPE, em Val Zebro, até 1924, ano em que passou para a Brigada de Mecânicos;
1923 - Coube á RSRA a publicação do primeiro Regulamento Radiotelegrafico da Armada, posto em vigor pelo Dec. Nº 8781 de 26 de Abril de 1923. Um segundo Regulamento viria a entrar em vigor em 1924, por força do Decreto Lei Nº 10191 de 17 de Outubro, substituindo o primeiro;
1924, 17 Outubro – O Dec Lei nº 10191 publica o segundo Regulamento Radiotelegráfico da Armada, elaborado pela Repartição dos Serviços Radiotelegraficos da Armada – RSRA;
1924 – O SEPTE foi extinto e substituido pela Brigada de Mecânicos (Dec. Lei 10061 de 01Set24) continuando a utilizar as instalações de Val Zebro;
1928 – Começou a funcionar no Posto Radiotelegráfico de Monsanto, a Escola de Radiotelegrafia e Comunicações, onde aliás, desde o fim da I Guerra Mundial, os Radiotelegrafistas recebiam parte da sua formação em equipamentos a válvulas. Esta Escola foi o primeiro organismo da Armada destinado exclusivamente ao ensino da TSF e das Comunicações. Deu sequència á especialização em Radiotelegrafia e Comunicações criada em 1925, e substituiu nas suas funções a Brigada de Mecânicos criada em 1924 pelo Dec. 10061.
Foi extinta em 1937, passando os cursos de Radiotelegrafistas nela ministrados, para a Escola de Mecânicos.
1934, 10 Maio – Através do Dec. Nº 23836 foram extintas as brigadas, restabelecido os corpo de marinheiros e criadas as escolas de Aplicação da Marinha. Desta reestruturação surge entre outras, a Escola de Mecânicos que se instala em Vila Franca de Xira e substitui a patir de 1937, a Escola de Radiotelegrafia e Comunicações que até então funcionara no Posto Radiotelegráfico de Monsanto.
1937 – Extinta em Monsanto, a Escola de Radiotelegrafia e Comunicações. Os seus cursos passaram para a recentemente criada Escola de Mecânicos, em Vila Franca de Xira,
Os primeiros cursos de TSF da Escola de Mecânicos foram organizados e conduzidos pelo grande entusiasta, estudioso e pedagogo que foi o Alm. Jorge Maia Ramos Pereira, ao tempo primeiro tenente e a quem as Comunicações na Armada muito devem. Os seus cursos foram do ponto de vista didáctico e pedagógico os precursores de todo o ensino de TSF e Comunicações desde então ministrado na Marinha.
1950, Outubro – Começou a ser ministrada em Vila Franca de Xira, formação de Sinaleiros,
1953 - Pelo Dec. Lei nº 39377 o Posto Radiotelegráfico de Monsanto inicialmente conhecido como Central Transmissora Naval de Monsanto” e depois como “Central Transmissora” foi integrado na Estação Radionaval Comandante Nunes Ribeiro.
1954 – Foi ministrado o último Curso de Aperfeiçoamento em Radiotelegrafia e Comunicações, desigando pela letra “R”1, na Escola de Mecânicos.
1956 – Devido ao aumento crescente do número de mensagens e á complexidade do seu manuseamento durante os primeiros anos da década de 50, tornou-se necessário criar na Marinha um serviço próprio de Comunicações e levar a efeito uma reestruturação dos cursos então existentes na Escola de Mecânicos. É assim que por efeito dessa reestruturação, em 1954-1955 o Curso de Aperfeiçoamento em Radiotelegrafia e Comunicações foi extinto, dando lugar ao Curso de Aperfeiçoamento em Comunicações, já com a letra designadora “C”, que de resto em 1966 passou a constituir uma especialização.
1961, 24 de Maio – O Dec. Nº 43711 da mesma data, estabeleceu nova orgânica nos estabelecimentos de ensino da Marinha, criando o Grupo nº2 de Escolas da Armada que substitui o Corpo de Marinheiros, e o o Grupo nº 1 de Escolas da Armada que substitui a Escola de Mecânicos.
1961, 3 de Junho – Pela Portaria nº 18509 da mesma data foi criada a actual Escola de Comunicações que ao tempo ficou instalada e portanto a pertencer ao G1EA, ministrando os cursos até então ministrados pela extinta Escola de Mecânicos.
1963, 25 de Setembro – Por despacho ministerial nº 88, a Escola de Comunicações foi integrada no Grupo nº 2 de Escolas da Armada, no Alfeite, até que por força das alterações introduzidas pelo Despacho do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada, nº 63/03, de 18 de Novembro, embora funcionando no mesmo espaço físico, se extinguiu a nomenclatura “Escola de Comunicações”, passando a designar-se por Departamento de Comunicações e Sistemas de Informação – (DCSI).